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domingo, 26 de dezembro de 2010

Casamento por um fio

Por Elliana Garcia




Quem está solteiro quer casar. E muitos casados, que um dia tiveram a solidão como companhia, cogitam a separação. Se o seu casamento está sem graça e até mesmo por um fio, será que dá para recuperar a relação?



Na visão do psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos, é possível recuperar o casamento que muitas pessoas acham que já deu o que tinha que dar. “Se o casal estiver pré-disposto a recuperá-lo é possível sim, através do diálogo e pequenas mudanças no comportamento,” diz.



Há poucos dias, a recepcionista Tatiana (que prefere não divulgar o sobrenome), de 26 anos, casada há 7 e mãe de um menino de 5, relatava estar vivendo o que vivem muitos casais. “Penso em me separar sim. Meu casamento acabou. Não tem mais graça, química, e a gente não se entende mais”. Ao ser questionada sobre qual seria a real motivação para colocar o ponto final em sua história, ela não teve uma resposta plausível. “Na verdade ele é uma boa pessoa. Mas, coisas do dia a dia, como não ajudar nos serviços domésticos, uma resposta num tom mais agressivo, tudo isso me deixa chateada”, disse.



Assim como ela, muitas pessoas se escondem atrás de motivos tolos para acabar com um relacionamento. E já que nenhum casamento acaba da noite para o dia, o que os casais devem observar para que a relação não desça pelo ralo? “Em 90% dos casos, a culpa do divórcio é das duas pessoas envolvidas e não de apenas de uma das partes. A pessoa deve estar atenta às pequenas mudanças nas atitudes do companheiro (a), e o diálogo é essencial para manter o casamento saudável”, salienta o psicólogo.



Do outro lado da história está o marido de Tatiana, que prefere não se identificar: “Eu não casei para me separar. Me apaixonei pelo jeito carinhoso dela, a alegria de viver. Mas ultimamente ela não sorri mais, está sempre nervosa e eu me pergunto onde está aquela mulher maravilhosa que não me fez pensar em mais nada, do que passar o resto de minha vida ao lado dela?”



“No início da conquista, quando estão se conhecendo, ambos mostram o melhor de si, mas depois esquecem disso”, diz Bez. Os fatores mais comuns que culminam no fim do casamento, segundo ele, são fatos corriqueiros. “Começa com pequenas coisas e a falta de respeito está no topo da lista. Além disso, as mentiras, o mau comportamento, agressões verbais, que às vezes migram para agressões físicas, e a traição, são os fatores mais comuns, que certamente acabam com qualquer relacionamento”.



“Normal é ser feliz”

A secretária F., casada pela segunda vez tem outro olhar para as relações. “Sofri muito no meu primeiro casamento e após a separação fiquei 11 anos sozinha. Primeiro me recuperando, depois, tentando encontrar uma pessoa legal”. A procura teve um fim quando, há 7 anos, ela encontrou o atual marido. “No início é aquela paixão, aquele mel, depois parece que tudo começa a cair na rotina”. Segundo F., chegou uma hora em que ela desejou estar solteira novamente, mas acordou antes. “Era a segunda oportunidade que eu tinha e não podia fracassar”. A secretária então conversou com o marido e juntos decidiram salvar o relacionamento.




“Adotamos alguns segredinhos, como surpreender o outro e voltar a ser como namorados, a valorizar a relação, o companheirismo, a cumplicidade. Muitos casais se baseiam apenas na parte sexual, mas a vida fora da cama também é muito importante”, ressalta.



Na concepção de F., as pessoas acham mais fácil se separar do que batalhar para salvar o casamento. “Muitos dizem que é normal se separar. Normal é ser feliz. E para quem está passando por problemas conjugais eu aconselho a mudar. Eu mudei, meu marido mudou. Ele tem defeitos, mas também tem muitas qualidades, e prefiro olhar para elas”.



Na opinião de Bez, no início dos relacionamentos as qualidades da pessoa amada são elogiadas, mas, na medida em que o tempo passa, o que fica em destaque são os defeitos. “Exacerbar os erros do companheiro tendo como base o desejo de irritar a pessoa, só acelera a deteriorização da relação. Por isso, aconselho a destacar as qualidades da pessoa amada sempre”, diz o psicólogo.



Acomodação



Um dos grandes problemas dos casais é a acomodação. “Seja por causa do trabalho, dos filhos ou qualquer outro motivo, a pessoa já não dá a importância necessária para a relação. A rotina desgasta qualquer casamento. A dica é utilizar a criatividade e bolar surpresas ou situações que saiam do cotidiano. Não é necessário que seja nada muito elaborado, mas mesmo pequenas atitudes são essenciais para manter a chama do casamento acesa”, ressalta Bez.



Foi o que fizeram Tatiana e o marido, os personagens do início de nossa reportagem. Eles decidiram conversar com um pastor e pedir orientação. O primeiro passo foi fazer uma viagem em família. “Parei para pensar, estou buscando salvar o meu casamento e estou vendo tudo com outros olhos após a orientação que recebi. Tenho certeza de que tudo vai dar certo. Estou fazendo a minha parte e meu marido a dele. Creio que a nossa história terá um final feliz. Já houve uma mudança em nossa vida”, revela a recepcionista.

Ela conseguiu reconstruir o casamento

Há alguns meses, na matéria “Como superar um divórcio”, a empresária Maria de Lurdes, de 54 anos, nos deu o relato emocionante de como lutou pelo seu casamento, o que foi extremamente importante para muitas pessoas. Por isso, fomos saber como está o casamento dela hoje, meses após ter adotado algumas estratégias para salvá-lo.




“A melhor coisa que me aconteceu foi eu ter persistido e lutado pelo meu casamento. Estou mais feliz e mais apaixonada hoje do que antes, e espero ter ajudado muitas pessoas a pensarem um pouco antes de optar pelo fim de uma história. É possível reconstruir um casamento e é possível ser feliz, pois eu estou sendo”, enfatiza a empresária.



Maria de Lurdes estava casada havia quase 30 anos, com dois filhos adultos, e, embora não estivesse divorciada no papel, ela e o marido estavam separados e morando na mesma casa como desconhecidos. Ela fora aconselhada por amigas a pedir o divórcio, mas resolveu buscar ajuda espiritual e agiu de outra forma. A estratégia deu certo e uma parte do texto que emociona é quando ela diz: “É visível o brilho no meu olhar, a minha alegria e a felicidade de ter ‘reencontrado’ o homem que sempre amei. Amigas dizem que rejuvenesci, perguntam se fiz cirurgia plástica ou que creme de beleza estou usando. Respondo que fiz uma cirurgia sim, tenho um novo coração e uso um creme chamado amor com pitadas de sabedoria.”

Dicas



O psicólogo Alexandre Bez fala sobre o que é possível fazer para salvar o relacionamento:



1- Observar a relação e o nível de desgaste em que ela se encontra;



2- Levantar as possíveis razões que causaram a situação;



3- Reconhecer os erros e elaborar um “plano” visando a recuperação do casamento. Exemplo: pequenas mudanças de comportamento;



4- Cuidado com a rotina. Fuja dela sempre que possível.



FONTE; ARCA UNIVERSAL

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